Olóòrun (DEUS)

Olodumare é infinito


Assim olodumare é infinito, ou seja, tem todas as perfeições em sumo e ilimitado grau.
A natureza é um conjunto indivisível no qual tudo está contido- a totalidade do universo está presente em todas as partes e em todos os tempos que possam ser considerados. Sem dúvida alguma, existe uma interação completa e misteriosa entre todos os elementos do universo e essa interação une o universo numa única totalidade.
Tudo que ocorre em nosso pequeno mundo está em relação com a imensidão cósmica, como se cada parte de qualquer mundo considerado contivesse em si a totalidade do universo. Conclui-se que todo e a parte são uma única e mesma coisa.
- Tudo reflete todo resto. Cada região do espaço, por menor que seja contém a configuração completa do conjunto. O que quer que aconteça na terra é ditado por todas as hierarquias das estruturas do un
iverso.



Olodumare é Imutável

A imutabilidade de olodumare consiste em que olódùmarè não está sujeito a mudança nem no seu ser, nem nos seus desígnios. Olodumare é chamado de “Oygiyigi, Ota Aiku”- O máximo, pedra imutável que jamais morre.




Olodumare é Eterno

Consiste em que Olodumare não teve principio nem pode ter fim. Ora Olodumare é eterno porque é o ser necessário que em si tem a razão do existir e não pode deixar de existir. Consequentemente, para Olodumare não há passado nem futuro- todas as coisas estão para ele em um eterno presente. 
No entanto nós o vemos como o Olojo Oni, O senhor do tempo, o gerador de todos os ciclos, e por isso falamos: “Oni,Omo Olofin; ola omo olofin;otunla, omo olofin; ireni omo olofin ; orunni, omo olofin”- hoje é a descendência de Olofin; amanhã é a descendência de Olofin; depois de amanhã é a descendência de Olofin o quarto dia é...; o quinto dia...;”
Um deus que não teve começo e que não conhecerá fim não está necessariamente fora do tempo- Ele é o próprio tempo, simultaneamente quantificável e infinito, um tempo em que um único segundo contém a eternidade inteira, sem que o conceito de tempo ai expresso implique a idéia de sucessão de acontecimentos.


Olodumare é Imortal

Mais que imortal, Olodumare é a imortalidade, e a esse atributo associa-se o atributo da invisibilidade. Olodumare não pode ser visto e assim é chamado de “Oba Airi”- O Rei Invisível”



Olodumere é Imenso. Presença de Olodumare
A imensidade de olodumare consiste em que ele está em todos os lugares e em todas as coisas. Olodumare é imenso, porque, como causa natural de todos as criaturas, tem de atuar nelas, para as criar, as conservar e governar, visto que Olodumare não está limitando nem contido em nenhum lugar, mesmo quando está em todos os lugares.
Por meio desse atributo, Olodumare revela-se como vivente eterno, onipresente e imenso. “Olorun Nikan l’o Gbon” - “somente Olorun esta ciente”.
Olodumare é onisciente, onipresente e onividente. Ele conhece todas as coisas e nenhum segredo lhe é ocultado. Assim, também está no coração dos homens e os conhece.
Muitas vezes o nome Oloko, pelo qual Olodumare também é conhecido, é traduzido por pesquisadores, literal e restritamente, como “senhor da fazenda” ou “fazendeiro”. Uma reflexão mais profunda leva-nos a entender que Oloko refere-se à condição de Olodumare enquanto “Senhor ao Universo” que criou, universo de infinita extensão, inimaginável ao pensamento humano. Assim, o titulo Oloko nada mais é do que símbolo a refletir a extensão e grandiosidade presentes na obra da criação.



Olodumare é o Criador 


Sua condição de pré – Existência a tudo e a todos os seres criados é muito bem expressa no seguinte texto de um Itam do Odu Oyeku – Ogbe: “Eo mo iya/ k’enyin o ma tum sure s’eke mo;/ e o mo iya, eo mo baba Olodumare...”, cuja tradução nos diz: “Você não conhece a Mãe/ pare com sua impetuosa mentira;/ você não conhece o pai/ pare com sua impetuosa mentira; você não conhece a mãe/ Pare com sua impetuosa mentira;/ você não conhece a mãe nem o pai de Olodumare/ este foi o veredicto de Ifá para tela – Iroko,/ aquele que propôs o nome de Olodumare...”
Ele é a origem de todos o universo, o principio de todos os princípios. Ele é o Eleda, o supremo criador, e, ao mesmo tempo, é ele que mantém o universo em movimento.
Ele é Obas a-se-kan-ma-ku, o rei que trabalha para a perfeição, autor de todas as coisas. Por fim, ele é o Elemi, o senhor do espirito, o senhor da vida.
Olorun, nome resultante da contração Olofin+Orun, “o rei ou governante do Orun”. É de entendimento que temos ai significativamente exposta uma particular manifestação de Olodumare, enquanto “o Criador e Senhor da Suprema Realidade”. Ora, a efetiva realidade da criação é o “mundo criado, em que a realidade do Aiye preexiste no pensamento do Deus Criador.




Olodumare é sagrado 


Todos os atributos de Olodumare levam necessária e obrigatoriamente à condição de reconhecer a sua natureza de Sagrado. É indissociável de sua condição de criador supremo a sua sacralidade.
Acima de tudo e de todos, merece de toda a sua criação louvor permanente e adoração. Ele define, por si mesmo, conceitos como pureza, retidão e transcendência. Por isso ele é conhecido como “Oba Mimo” o “Rei Puro”. A partir do que vimos até aqui, não podemos deixar de avançar sobre os atributos presentes na religião Yorùbá e que a caracterizam dentro de um quadro que estabelece sua extinção e profundidade, garantindo-lhe lugar junto a todas as demais religiões da historia da humanidade. Ela é sem duvida, uma religião monoteísta, universal e revela.
É universal na medida em que seus princípios podem ser seguidos por quaisquer homens e sua cosmovisão tem caráter planetário. É revelada porque todo conhecimento que a constitui encontra-se sistematizada no chamado esotérico, histórico, ética e moral entregue aos homens por ORUNMILA.
Considerar a religião de ORISA como politeísta e os ORISA como Deuses, traz por conseqüência, uma visão externa que a define como panteísta, primitiva bárbara e fetichista.
Perde-se, assim, sem duvidas a dimensão do sagrado, o status de universalidade e de revelação que lhe são próprios e a respeitabilidade que ela merece ao lado das grandes religiões da humanidade. Retirar da religião afro – desentende seu caráter monoteísta significou, antes de mis nada retirar das diversas nações africanas sua identidade, sua unidade e coesão.


José Tadeu de Paulo Ribas 
O autor é psicólogo, bàbálóòrìsà e mestrado em psicologia, é também presidente da FITACO Federação Internacional da Tradição Africana e Culto aos Orixás.